sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ideologia. NÃO quero uma pra viver!





Qualquer cura tem como ponto de partida seu diagnóstico. A sociedade de massa não se constituiu sem uma base ou histórico. Conforme GYATSO (2011): “Nos primórdios, o ser humano vivia em comunidade e tudo que ele tinha, compartilhava. (...) Com o decorrer dos séculos, aumento da população, das possibilidades da vida, as pessoas foram ficando mais sofisticadas e se dividiram em classes. Esqueceu-se de que existe apenas um grande grupo, o de humanos.”

Segundo GASSET, (1926), ”(...) não há protagonistas, só há coro” na formação da sociedade contemporânea. As comunidades foram trocadas pelas aglomerações na escalada por melhores condições sociais e mais fácil acesso aos tão idolatrados bens materiais.
           
Mas onde se germinou essa idolatria? Após a Segunda Guerra Mundial, conforme divulgado em vídeo pela guru ambiental Annie Leonard, o analista de varejo Victor Lebow sugeriu que se instituísse o consumo como meio de vida, não só para o aquecimento econômico mas como um novo ideal social, como cita: “(...) que busquemos nossa satisfação espiritual, a satisfação de nosso ego, em consumo.” (THE STORY OF STUFF, 2007)
           
Para padronizar esse conceito fez-se uso da comunicação de massa, mais especificamente da televisão por atingir diversas classes econômicas. O intuito é moldar o ser humano às condições favoráveis para que essa sociedade continue existindo. As vontades instintivas dão lugar aos desejos pré-determinados. Somos programados para atender a demanda, como na música: “Pense, fale, compre, beba, leia, vote, não se esqueça, use, seja, ouça, diga, tenha, more, gaste e viva.”  (PITTY, 2003)
           
Trocamos cultura por entretenimento que é definido como cultura de massa e nada mais é que “(...) um produto definido, padronizado, pronto para consumo.” (MORIN apud SANTANA, 2010). Não há interação racional na programação televisiva e em muito do que se vê circular pela Internet também. De acordo com Betto (2002), no Brasil, crianças e jovens passam quatro horas em sala de aula absorvendo cultura e conhecimento de forma mecânica, antiquada e superficial. Tais ensinamentos são brevemente desprezados e subestimados após as mesmas crianças e jovens passarem a mesma quantidade de horas já citadas em frente à TV, hipnotizadas, sendo bombardeadas por publicidades que traçam “(...) seu estereótipo de beleza, de educação, de cultura, de justiça etc.” (MENEZES – 2008)
           
Mas em meio à lama vejo a lótus! Cada vez mais o jovem se engaja em projetos sustentáveis. Várias passeatas e mobilizações virtuais expõem seus descontentamentos com as mídias corporativistas. Das ruínas econômicas das grandes potências brota a valorização dos conflitos existenciais humanos na busca de um lugar, de fato, no mundo.
           
Aos 15 anos fui apresentada a filosofia acadêmica através de um curta-metragem, passado aos alunos pelo professor, intitulado Ilha das Flores (FURTADO, 1989). O Impacto cognitivo foi tão profundo que, até hoje, soa em mim um ‘alarme interno’ ao descartar qualquer alimento no lixo. Acho essencial esse choque de realidade para  formar cidadãos críticos e, principalmente, autocríticos, que preconizem o ‘Ser’ sobre o ‘Ter’.

Não dá mais para esperar que nossos jovens tomem coragem para engolir a pílula vermelha da verdade. (THE MATRIX, 1999) Cabe a nós, educadores, injetar doses diárias e ininterruptas, desde a infância, do soro que transforme nossa sociedade e a defenda dela mesma. É preciso contradizer o poeta Cazuza e mostrar para essa nova geração que ninguém precisa de uma ideologia para viver.

Referências Bibliográficas:

Escritas:

BETTO, Frei. Educar pra quê? Disponível no site: http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=4523 Consultado em 11/08/2011.

GASSET, José Ortega y. O FATO DAS AGLOMERAÇÕES. Disponível em: http://campus15.unimesvirtual.com.br/eduead/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=50697 Consultado em 26/09/2011.

GYATSO, Tenzin – Décimo Quarto dalai-lama. Entrevista para Revista AT Ano7 Ed.356 – Semeador do Amor.  Santos: A Tribuna, 2011.

MENEZES, Nilton Gonçalves. Meios de comunicação social, ideologia e regressão do pensamento. Disponível no site: http://www.paralerepensar.com.br/niltonmenezes_meiosdecomunicacaosocial.htm Consultado em 26/09/2011.

MORIN, Edgar. In: SANTANA, Ana Lúcia. Cultura de Massa. Disponível em: http://www.infoescola.com/sociedade/cultura-de-massa/ Consultado em 26/09/2011.


Audiovisuais:

CAZUZA – NETO, Agenor de Miranda Araújo. Ideologia. Disponível no Álbum: Ideologia. Gravadora Poly Gram, 1988

FURTADO, Jorge. Ilha das Flores. Porto Alegre: Casa de Cinema, 1989.

LEONARD, Annie. The Story of Stuff (A História das Coisas). Disponível no site:  www.storyofstuff.com Consultado em 26/09/2011.
PITTY – LEONE, Priscila Novaes.  Admirável Chip Novo. Disponível no Álbum: Admirável Chip Novo. Gravadora Deck Disc, 2003

WACHOWSKI, Irmãos. The Matrix (Matrix). EUA: Warner Bros. Pictures, 1999.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Decifra-me


Não gosto de ganhar flores.
Bombons, roupas caras e sapatos de grife não me dizem muito como presentes.
Prefiro as juras de amor ao pé do ouvido aos poemas de papelaria.
Troco mil serenatas por canções sussurradas ao amanhecer. Canções de nós dois, que ninguém mais conhece, que o rádio não toca...
O mais caro diamante não paga um beijo bem dado ou um olhar malicioso diante de uma lingerie nova.
Admito que gosto de torpedos no meio da tarde com siglas desconexas que só eu posso entender e que vibro nos sites de relacionamentos quando vejo meu nome descrito em lembranças simples de momentos que marcaram.
Nunca entendi porque um homem tem que levar a mulher pra jantar e depois pro motel. Isso me remete a “congestão”! Nada melhor do que saciar a fome de prazer primeiro e assim adquirir a cumplicidade necessária para degustar uma refeição a dois como deve ser. Porque queridas, escutem a titia: se não rolar na cama, na mesa é que não vai ter jeito!
Não curto romance com frescuras, com horas e datas, com cobranças e negociações. Casais clichês me inspiram desconfiança. Há que se ser muito humilde para assumir que numa relação impecável o sentimento que reina é o tédio.
Sou adepta do conforto e dele não abro mão. Por isso, qualquer scarpin que me esfole o calcanhar permanecerá no armário não importando o quanto tenha custado e nem mesmo a data em que me foi presenteado. Quero estar de havaianas quando você chegar, pra poder correr mais rápido para o seu abraço!
Eu não gravo a data do primeiro encontro, do pedido de namoro, do primeiro beijo. Mas vejo o por do sol, ouço a música que tocava e sei se era verão, por que tinha mosquitos e o cheiro de citronela ronda minha memória olfativa, ou inverno porque o gosto de vinho tinto toma conta dos meus lábios quando lembro.
Falo poucos eu te amo. Lembro de ter dito alguns ao encontrar a louça lavada ou a roupa estendida após um dia difícil de trabalho. Esqueci de vários, mas sei que eu disse, presos entre soluços de prazer ou de decepção.
Gosto de ganhar coisas úteis. Sim! Coisas pra casa, pras crianças, pra usar enfim! Bichinhos de pelúcia são lindos, nas prateleiras das lojas! Prefiro algo que tire ácaros, como um aspirador de pó, do que algo que os acumule. O que neste momento você chama de falta de romantismo, eu chamo de praticidade.
Mas também gosto de ser levada, conduzida. De ser surpreendida e me sentir segura com isso. Até os mais bravos comandantes precisam de um porto seguro para atracar.
Nenhuma mulher é uma equação com resultado exato. Talvez a fórmula flores e jóias, jantar e poemas possa funcionar para a grande maioria. Talvez minha feminilidade tenha se perdido no topo de uma das inúmeras árvores que escalei na minha infância. Talvez tantas paixões vividas me fizeram crer que o amor é uma construção diária feita de atitudes. No fundo eu gosto de ser assim, uma Esfinge ao contrário: decifra-me e meu apetite para te devorar se renova!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Esse tal de Mandela



No próximo dia 20 se comemora mais um Dia da Consciência Negra. Por conta disso, ontem me vi as voltas com uma pesquisa sobre o tema onde eu tinha que recortar figuras para a Gi levar para a escola a fim de montar um cartaz.
A pesquisa consistia em achar figuras de celebridades afro descendentes, comidas típicas e moda influenciada pela cultura negra.
De primeira já me vi embaraçada com a relutância da guriazinha em recortar a foto do Neymar, seguindo-se o diálogo:
 - Mãe, ele não é negro. Olha o cabelinho dele, que lisinho!
- Gi, ele é mais claro mas é filho de negros. É afro descendente sim, pode cortar!
- Mãe, é o Neymar! Não é o Pelé, mãe!
-Tá, deixa ele aí, vamos procurar outro!
E entre os ‘folheios’ da revista ela se deparou com uma foto de Michael Jackson e, sem titubear, cortou-a.
- Esse sim, ta bem branquinho aqui, mas eu sei que é negro!
Cabia alguma explicação? Melhor ficar quieta né!?
Para apressar o trabalho, pedi que ela pesquisasse na internet quais eram as comidas típicas enquanto eu e a Manu continuávamos procurando os famosos nas revistas. Enquanto ela estava no computador, achei uma foto de Nelson Mandela e a recortei.
Em outro momento interessante, Manu achou uma foto do rapper Emicida e, após recortar, mostrou para irmã dizendo: “É famoso sim. O NXZero até o deixou ele cantar junto com eles. É aquele que canta fazendo poesia, sabe?”
A Gi continuava gritando, lá do quarto, as comidas que descobriu em um site: “milho, farinha, feijão...”
Trocamos então de posto e passei ao computador para editar as figuras de vestuário que ela tinha achado e imprimi-las.
Qual não foi minha surpresa quando, ao olhar as fotos que tínhamos selecionado, ela exclama:
-Ah, esse tal de MADÉLA que escreveu sobre as comidas no site que eu tava pesquisando!
Sacam aquele Meme furioso que circula pela net? Pois era eu! Se eu tivesse um espelho por perto tenho certeza que veria refletido uma mistura de Fidel Castro com Minha mãe!
A narrativa durou uma meia hora e foi recheada de frases do tipo: “Se não fosse esse tal de Mandela você nem estaria fazendo esse trabalho sobre consciência negra!” e “Você sabe quem é Michael Jackson e desconhece Mandela, que tipo de educação você recebe kct!?”, entre outras! Depois de respirar, tirar a mão da cintura, parar de mexer o pescoço feito Fat Family e cantar pra subir o encosto de 'Mana do Bronxs', lembrei q minhas filhas ainda estão no terceiro ano e a matéria de história no currículo é bem pró forma. Mas pelos olhinhos atentos e consternados, acho que o sermão valeu como aula! Vi que elas tinham conseguido viajar pela África que retratei e que, puderam perceber que muito contra o qual o 'tal' do Mandela lutou ainda persiste e bem mais perto de nós.
No fim elas conseguiram entender que mais importante que Consciência Negra é a Consciência Humana. É saber que dentre artistas, jogadores de futebol e cantores estava a figura de Nelson Mandela. Porque celebridade é todo aquele que se destaca por fazer a diferença na vida de alguém. Seja emocionando, seja divertindo ou seja estimulando um sonho! Nelson Mandela foi o maior estimulador de sonhor de um povo: o sonho da igualdade e da liberdade!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sobre o Filme: "ENTRE OS MUROS DA ESCOLA"



O primeiro fato que se destacou, a meu ver, no filme, foi seu título: “Entre os Muros da Escola” (CANTET, 2007). Tal frase soou-me como a transformação da instituição de ensino, construída dentro de uma comunidade para atender aos componentes dela, em uma realidade paralela a realidade social deste grupo de pessoas.
           
 É fato que se procura manter, delimitado pelos muros escolares, um estado de perfeição inabalável perante os problemas sociais externos. Não o é! Como parte de uma comunidade a escola deve conscientizar-se de que os alunos trazem para dentro da instituição seus problemas e esperam muito mais que professores perfeitos com saberes mecanicamente transmitidos. Buscam conhecimento que caiba na prática da resolução de seus conflitos.
           
“A principal função do professor é formar cidadãos capazes de contribuir para a harmonia social.” (DURKHEIM apud FERRARI, 2008) Isso não será possível enquanto a escola continuar assumindo um status de ‘universo paralelo’, inatingível pelos conflitos provenientes da galopante desigualdade social.
         
É importante se destacar do filme a postura do professor François e sua flexibilidade quanto ao planejamento pedagógico ao avaliar a atividade do aluno Soleymane mediante as possibilidades que ele dispunha de fazê-la. François levou em consideração o histórico social e familiar do aluno para mudar sua técnica de ensino. Dessa forma obteve do jovem, que tinha pouca intimidade com aquela língua por ainda não se sentir integrado à cultura daquele país que ora o abrigava, a mesma resposta através das imagens capturadas pelo aluno em sua câmera fotográfica.
           
O resultado dessa atitude foi o despertar do sentimento de aceitação em Soleymane com relação ao ambiente social, disposto naquela sala de aula. O fator surpresa contido na iniciativa do professor foi o responsável pela integração social do aluno. “O primeiro hábito de um professor fascinante é entender a mente do aluno e procurar respostas incomuns, diferentes daquelas a que o jovem está acostumado.” (CURY, 2008:43)
           
Quando cursava a oitava série, do antigo primeiro grau, passei por problemas particulares devido ao estado de saúde da minha mãe. O acontecimento refletiu diretamente no meu rendimento escolar e no meu comportamento que, outrora expansivo e carismático, tornou-se introvertido e arredio. Na ocasião, uma professora de matemática, matéria que como todas as outras ciências exatas não tinha minha simpatia, tomou conhecimento da brusca queda nas minhas notas, bem como do que me afligia. Ao ser indagada pela citada professora, respondi que, na ausência da minha mãe, eu havia assumido os papéis que a ela cabiam e deixando os estudos para segundo plano. Esperava que a conversa terminasse por aí mas me surpreendi com suas palavras: “Lave o banheiro e cuide de seu irmãozinho, o resto se ajeita.” Em seguida me entregou um papel onde constava um número de telefone e a frase ‘ligue quando precisar’.
           
Vinte anos se passaram e tal mensagem continua viva em mim. Não só quando penso como administradora do lar, mas quando tenho que enfrentar tempos difíceis. Após aquele ano, em que me formei com louvor em todas as matérias, nunca mais encontrei com essa educadora e nem mesmo sei se ainda pertence a este mundo. A única certeza que tenho é que, como todo grande ser humano, ela não me marcou pelo que foi mas pelo que fez.


Referencias Bibliográfica:
Escritas:
CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2008
DURKHEIM, Émile In: FERRARI, Márcio. O criador da sociologia da educação. Disponível no site: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/criador-sociologia-educacao-423124.shtml  Consultado em 28/09/11.
Audiovisuais:
CANTET, Laurent. Entre lês Mus (Entre os Muros da Escola). França: Sony Pictures Classics e Imovision, 2007.

Educação X Mídias Massificadoras


Educar é preparar o indivíduo para ser um agente passivo e ativo das transformações sociais. É, não só criar profissionais para suprirem as necessidades de um mercado capitalista, mas cidadãos críticos que possam contribuir para a formação de uma sociedade mais coesa e humana.

Julgo ser primordial que, através da educação, formemos seres capazes de discernir e qualificar as informações que chegam a si, principalmente, através dos meios de comunicação de massa. Há que se aprimorar o conhecimento e ter flexibilidade para concorrer com a mídia televisiva e, mais recentemente, a digital.

Segundo FREI BETTO (2002) “A publicidade sabe muito bem que, quanto mais culta uma pessoa (...) menos consumista ela tende a ser.” Através da educação temos que difundir a importância do ‘ser’ sobre o ‘ter’ e assim humanizar nossa sociedade.

Referências Bibliográficas:
BETTO, Frei. Educar pra que? Disponível no site: http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=4523 Consultado em 11/08/2011.

Ó Nóis Aqui Traveis!





Pois é caros internetespectadores!

Meu querido blog foi expulso da uol depois que mamuska cancelou a conta. Eu era uma usuária 'agregada' e fiquei impossibilitada de fazer novas postagens naquele endereço.

Pra quem leu até aqui e não entendeu nada, esse é o endereço do antigo blog: http://carlinhabassan.zip.net/

A princípio eu pensei em copiar os melhores posts de lá neste novo diário eletrônico, mas gosto mais dessa sensação de recomeço, de partir do zero... (tá bom, tbém não consegui eleger nada que prestasse tanto a ponto de ser reproduzido aqui!).

Pra começar a saga do novo blog sem ter que queimar muitos neurônios, vou
postar uma série de textos que tenho feito ultimamente para a facul. Mesmo permeando sempre a educação, os temas acabam variando e, inevitavelmente, indo de encontro as calamidades sociais que eu tanto gosto de abordar. Acho que vcs gostaram de ler... (se não gostarem comentem com um "legal" para garantir a amizade ok?)

Lembro que conto com a participação de todos aqui. Comentando, sugerindo temas, criticando... Saibam que cada participação me faz economizar nos tarjas pretas, ou seja, participe e seja solidário com uma bipolar!

Aguardem e confiem!

Bjkas