Não gosto de ganhar flores.
Bombons, roupas caras e sapatos de grife não me dizem muito como presentes.
Prefiro as juras de amor ao pé do ouvido aos poemas de papelaria.
Troco mil serenatas por canções sussurradas ao amanhecer. Canções de nós dois, que ninguém mais conhece, que o rádio não toca...
O mais caro diamante não paga um beijo bem dado ou um olhar malicioso diante de uma lingerie nova.
Admito que gosto de torpedos no meio da tarde com siglas desconexas que só eu posso entender e que vibro nos sites de relacionamentos quando vejo meu nome descrito em lembranças simples de momentos que marcaram.
Nunca entendi porque um homem tem que levar a mulher pra jantar e depois pro motel. Isso me remete a “congestão”! Nada melhor do que saciar a fome de prazer primeiro e assim adquirir a cumplicidade necessária para degustar uma refeição a dois como deve ser. Porque queridas, escutem a titia: se não rolar na cama, na mesa é que não vai ter jeito!
Não curto romance com frescuras, com horas e datas, com cobranças e negociações. Casais clichês me inspiram desconfiança. Há que se ser muito humilde para assumir que numa relação impecável o sentimento que reina é o tédio.
Sou adepta do conforto e dele não abro mão. Por isso, qualquer scarpin que me esfole o calcanhar permanecerá no armário não importando o quanto tenha custado e nem mesmo a data em que me foi presenteado. Quero estar de havaianas quando você chegar, pra poder correr mais rápido para o seu abraço!
Eu não gravo a data do primeiro encontro, do pedido de namoro, do primeiro beijo. Mas vejo o por do sol, ouço a música que tocava e sei se era verão, por que tinha mosquitos e o cheiro de citronela ronda minha memória olfativa, ou inverno porque o gosto de vinho tinto toma conta dos meus lábios quando lembro.
Falo poucos eu te amo. Lembro de ter dito alguns ao encontrar a louça lavada ou a roupa estendida após um dia difícil de trabalho. Esqueci de vários, mas sei que eu disse, presos entre soluços de prazer ou de decepção.
Gosto de ganhar coisas úteis. Sim! Coisas pra casa, pras crianças, pra usar enfim! Bichinhos de pelúcia são lindos, nas prateleiras das lojas! Prefiro algo que tire ácaros, como um aspirador de pó, do que algo que os acumule. O que neste momento você chama de falta de romantismo, eu chamo de praticidade.
Mas também gosto de ser levada, conduzida. De ser surpreendida e me sentir segura com isso. Até os mais bravos comandantes precisam de um porto seguro para atracar.
Nenhuma mulher é uma equação com resultado exato. Talvez a fórmula flores e jóias, jantar e poemas possa funcionar para a grande maioria. Talvez minha feminilidade tenha se perdido no topo de uma das inúmeras árvores que escalei na minha infância. Talvez tantas paixões vividas me fizeram crer que o amor é uma construção diária feita de atitudes. No fundo eu gosto de ser assim, uma Esfinge ao contrário: decifra-me e meu apetite para te devorar se renova!

Maravilhoso! Uma pena que nem todas as mulheres tenham a capacidade de olhar o verdadeiro amor em pequenos, mas honestos gestos. Casamento e amor verdadeiro não são como nos filmes da Julia Roberts, a vida real é até mais tediosa, mas muito mais gratificante...
ResponderExcluir